sábado, 26 de janeiro de 2008

Mínimos

Parecia amor,
mas veio a traição
E apareceu o que sobrou:
dor de morte no coração.

Não é nada,
Mas um beijo de madrugada
E serei tua amada.

A moça sorridente
Cheirava pó.
Coitada, era indigente
Morreu só.
Foi instantâneo
E amo, mas não te amo.
Como um bebum
Que bebe, mas não fica bêbado.
Depois daquela luz
O som da batida
É o que embala
Minha via-crúcis.

Aquele tiro
Deixou meu coração paralítico
É bala, meu amor,
Acabou nosso amor.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Cumpra-se

Artigo IX
"Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado."


Simpático e utópico. É bem assim que o artigo nove da declaração de direitos humanos se apresenta. Pode parecer um artigo ingênuo, mas não fique com dó se por tantas vezes ele é esquecido e se toda essa idéia bonita de liberdade e de ser inocente até provas que indiquem o contrário for por água abaixo.

Na teoria um cidadão só pode ser preso por mandado de prisão ou se for pego assim que comete o crime, o tal flagrante. É assim que esta na Constituição Federal. Mas quem é que segue a Constituição?! Esqueça seus documentos em casa, seja pobre ou negro e você pode ir parar na prisão. Sem direito a respostas. É a dura realidade que tira a poesia da vida.

Quando isso vai mudar? Quando pararão de roubar os planos e os vinte anos de tantos presos por engano e por abuso de poder? Não dá pra saber. Muito menos para aceitar, mas e adianta contestar? Tudo o que disser ainda poderá ser usado contra você.

A polícia não existe para bater ou perseguir inocentes, mas sim para garantir a segurança de todos e quem sabe quando houver consciência deles sobre isso, alguma coisa mude e a poesia volte a aparecer.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Veneza Brasileira

Escolha uma cor. Qualquer uma. Vamos, pense numa cor. Pode ser a sua preferida. Azul? Rosa? Amarelo?

Não importa a cor que você pensou. Seja qual for, você a encontrará na cidade de todas as cores, Recife. Onde é possível enxergar um arco-íris em qualquer direção. Nosso pedaço de céu tem o maior brilho e as nuvens de tão branquinhas lembram mais algodão.

Ah, Recife... Veneza Brasileira. Assim chamada pela semelhança fluvial com a cidade européia. És cercada de rios e por isso cortada por diversas pontes, um charme a mais pra ti. Que tem nas pontes ainda mais cores.

Mas nem tudo são cores, digo, flores. Recife, como toda ou quase toda grande cidade desse país, é uma cidade meio suja e quase sempre violenta. E as pontes lindas reservam um dos maiores contrastes, pois se elas são belas, as águas por baixo delas são escuras e sujas. As letras de Nação Zumbi e o embalo do mangue beat não nos deixam esquecer a lama do nosso quintal. Nosso Maracatu ainda pesa mesmo uma tonelada. E pra continuar no ritmo, o frevo traz de volta as cores do Recife ao texto.

De todos os bairros, do Recife Antigo é o que eu gosto mais. Não só pelas cores, claro. Sou tão apaixonada por aquele lugar. Amo todos os cantos e principalmente o Marco Zero. Algumas das minhas melhores lembranças são lá que busco.

Apesar de todos os males típicos de cidade grande, igual a Recife não tem nenhuma outra. E quando estou no Recife, sinto-me em casa. Amo a cidade das cores, dores, sons e amores.